Janeth Oliveira Naves
Quando vó Teodora chegava, me alegrava pensar que haveria contação de histórias, passeios ao mercado central e preparação de quitutes que só ela sabia fazer. O seu doce de laranja era incomparável. Ninguém conseguia aquele aspecto de vidro transparente, a maciez e o sabor sem nenhum amargo. O processo era longo: dias escaldando, raspando, passando daqui para ali, com muita ciência e nenhuma pressa.
Ao final, era perfeito, mas durava pouco porque todos comiam com gosto. Assim também eram as histórias que ela contava, sempre mais curtas do que eu gostaria e deixando, em mim, o eterno gostinho de quero mais