Poema para uma despedida que não houve


Janeth Oliveira Naves

Vão-se as pessoas
Ficam as lembranças:
As doces, as amargas
As grandes, as pequenas.
Ficam como herança
Marcadas, tatuadas
As que ferem, as que doem
E as pelo afeto entoadas.

A fotografia da grande família
Em preto e branco, desbotada
Ilustra o que contavas.
Em teus braços
Eu pequenina
Madrinha e menina
Protegida, aconchegada.

Mulher de muitas pelejas
Coração calejado
Compassivo, amoroso.
Mãos pequenas e macias
Para o afago e para a cura
Força oculta, das entranhas
Sabedoria ancestral.
Sorriso escasso e verdadeiro
Olhar profundo e maternal.
Vínculo desde sempre traçado
Pelo sangue, pelo amor
E cuidados primeiros.

Hoje só perguntas
Sobre o teu instante derradeiro.
Alguma mão te amparou?
Algum som te embalou?
A tua fé te guiou?
Jamais iremos saber.
Não houve despedida
Nem consolo
Um ciclo em aberto.
Por isto este poema
Para me redimir
O choro que liberto.




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Janeth Oliveira Naves

E-mail: janeth_naves@hotmail.com

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